Neste espaço se divulga a actividade do grupo restrito CantOrfeu.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

07.00 - Parcerias


Porque se publicam parcerias poéticas no grupo restrito CantOrfeu,  considerou-se oportuno criar no blogue CantOrfeu um espaço para a sua divulgação pública.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

02.17 - Poetas * Fernando Rodrigues Almeida * Metamorfose e Enigma das turbas

Fernando Rodrigues Almeida

***
Metamorfose

 

Caiu ubíqua como pedra e era lágrima

Seus cristais eram estrelas

Rolaram e molharam o universo

Angola, 04/07/2011


*
ENIGMA DAS TURBAS


Em Inglaterra não havia sismos
mas havia abutres
e cismas que espreitavam.
Faltavam os cadáveres.
E criaram-se noites de luar
e foices virgens.
Procuraram-se sombras nos escombros.
Mas não havia escombros.
Não havia esperança entre as brumas densas.
Ungia-se o silêncio de sombras.
E havia abutres que espreitavam
enfeitados de plumas.
Depois ceifaram a esperança
com suas foices virgens.

13/08/201

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

02.16 - Poetas * Xavier Zarco * Estou aqui e escrevo um poema

Xavier Zarco

***

Estou aqui e escrevo um poema 



estou aqui e escrevo um poema
para o outono
mas sem folhas caindo caiando
o chão de vento de cores mas sem branco
.
escrevo com a morte ao meu colo
como um gato que me atura
e me acompanha
sem nada em troca pedir

talvez como o alves barbosa
que forte pedala
mas sem força
mas com a força
que há quando a meta urge rente à alma
.

ou talvez como o belarmino
com todos os tapetes reclamando
o seu corpo
chamando o seu nome
e no entanto
ficando para o aplauso da vitória

.

estou aqui
e escrevo o meu outono
porque a morte de um poeta
é o início
somente o início o estado puro
o palimpsesto do poema
 

.


02.08 - Poetas * Tuphy Mass * O sonho de Tuphy


Na limpidez do céu, um infinito azul
envolve, no seu manto, a terra abandonada.
Assombros de passado acenam mais a sul…
Areias de ouro e sol de uma magia alada…

A voz de Sherazade enfeitiçando ainda
as noites de luar, em fios de alva renda…
Há cânticos de amor, num sonho que não finda…
Seu corpo, belo e nu, enleia a minha tenda…

 
A dádiva da vida, em sôfregos carinhos,
enlaça-me num todo anelos de pureza
e sinto crepitar o fogo em nossas veias…

 
As rotas do deserto, os múltiplos caminhos
que cruzo milenar em busca da riqueza
dos astros de outro céu que emerge das areias…

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

02.13 - Poetas * José-Augusto de Carvalho * Para além do Tempo



 
No princípio era o verbo... e Deus estava só!
Na graça da nudez, a terra seca, em pó...
 
Da fonte que mitiga a sede do infinito,
tirou um pouco de água e o pó dessedentou...
Da lama resultou o barro... e levedou
Depois, foi só criar. Assim nasceu o mito.
 
Deste mistério santo, a carne é Deus e barro!
E o barro, que é de Deus, recusa os adjectivos.
É barro e nada mais. A graça que há num jarro
também lhe vem de Deus. Sem outros aditivos.
 
A débil mente humana é que perversa impõe
insólitas noções e o santo barro inquina...
Mas, ai, se a gente (im)põe, só Deus é que dispõe...
e uma graça de Deus só pode ser divina!

 

16 de Março de 2002
Viana * Évora * Portugal
Do livro em preparação: «Esta lira de mim!...»

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

02.13 - Poetas * José-Augusto de Carvalho * Livro aberto


                                                                                                    Para  Lílian Maial

 
Nas páginas do tempo, em livro aberto,
o testemunho inscreve a rebeldia:
a solidão da sede do deserto
esconde sempre um poço de água fria.

As coisas nunca são o que parecem.
Do céu, o vento as nuvens afugenta.
Se oásis de ternura reverdecem,
que poço de água fria os dessedenta?

Que Estrada de Damasco, oh Síria antiga,
por entre os desencontros dos abutres,
no tempo sobrevive livro aberto?

Que poço de água fria te mitiga,
na solidão da sede do deserto,
se há tanto tempo só de sal te nutres?

 
3 de Abril de 2009.
Viana de Fochem*Évora*Portugal

terça-feira, 9 de agosto de 2011

02.15 - Poetas * Nathan de Castro * Poema de dançar

Nathan de Castro

*** 
Poema de dançar


Eu danço, pois a música me embala,
acende o sangue e agita o esqueleto.
E danço, pois se as noites são de gala,
delas retiro os sóis dos meus quartetos.

Eu danço, pois dançando a dor se instala
na plenitude triste que cometo,
e danço, pois o encanto nada fala
das lágrimas que entrego a esses sonetos.

E danço, aqui, sozinho, a nossa música!
E piso nos teus pés... E chamo as luas
para os momentos tolos que alimento!...

Eu danço, pois a dança é a minha túnica,
ajusta-se ao meu corpo, e tem as tuas
curvas gravadas, no bailar que invento!